domingo, 16 de agosto de 2009

O Leitor: sexo e conhecimento – uma aventura libertária


Este comentário busca um desligamento daqueles que são costumeiros no concernente as produções cinematográficas, procura, sobretudo, revelar aquilo que na visão deste autor é crucial e concomitante com a missão deste blogue.

Ambientado na Alemanha nazista, a trama desenvolve-se a partir do encontro entre o adolescente Michael Berg e a solitária Hanna Schmitz, os quais a partir de então iniciam um relacionamento que possui como pano de fundo, a literatura. Hanna, analfabeta (nega-o), pede para que Berg leia para ela obras que permitem que a cobradora de ônibus se desloque da sua realidade cruel e sombria, dentre elas, a Odisséia de Homero. Mas, o romance é efêmero, contudo influenciam-nos de forma perpétua e os protagonistas reencontram-se no julgamento de Hanna, acusada, de assinar 300 mulheres no campo de concentração de Auschwitz, no qual o protagonista encontra-se preso em um dilema: ajudar a ex-amante revelando ao tribunal o fato de ela não saber ler, ou permanecer calado diante da negação daquela que era a mais interessada. O seu silêncio custou a Hanna a prisão perpétua, porém após anos enviou gravações dos livros que lia para ela à prisão, processo do qual resultou a sua alfabetização, porém quando a pena é reduzida e lhe é oferecida um recomeço com ajuda do “menino”, ela recusa-se e encerra sua vida.

São diversos os sentidos apreendidos depois da visualização do filme, aqui busco delinear alguns que chamaram a minha atenção. O conceito de liberdade presente no filme é deveras interessante, sexo e conhecimento, relaciona-se em uma cadeia de acontecimentos que proporciona libertação, da realidade sufocante a qual os protagonistas estavam presos, vivendo por um curto período uma tenra fantasia, a qual permitiu a Hanna transformar seus dias como detenta, dias mais amenos, os quais ela não aceitou que lhes fossem retirados, pois a realidade fora daquela construída por ela era aterrorizante.

Além disso, observa-se a relação entre a moral e o Direito nas cenas do seminário e do tribunal, conceito que o autor do livro, também jurista, Bernhard Schlink, descreve com o traço principal na questão da implicação da culpa, e naquele ínterim, o relacionamento entre a geração do pós-guerra e da guerra, visto em Berg e Hanna, ou em suas palavras, na afeição e no horror, no apoio e na condenação. Ainda no âmbito do Direito, destacam-se questões relativas ao direito à memória e à verdade e o direito de defesa, todas concentradas nas ações de Hanna no tribunal.

Sexo ou conhecimento: quem oferece a verdadeira liberdade? Todos nós somos inocentes? Até que ponto é benéfico viver em uma realidade criada por nós? Quando o sexo vincula-se ao amor? Até que ponto usamos os outros e somos usados por eles? Quando a realidade aceita pela maioria se torna falsa?

Por fim, recomendo o livro e o filme como sugestões para aqueles que desejam repensar conceitos fundamentais da nossa sociedade. Creio que essa aventura libertária que encontra um dos seus meios para concretizar-se aqui deve ser vivida por todos.

2 críticas ou não...:

Mimirabolante disse...

Oi,li o livro e vi o filme.....Gostei de ambos.Vi o seu comentário e apareci para conhecer seu espaço.Um abs,Monique

Lista Telefonica disse...

www.sualista.com.br